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   maio 28, 2008   


Newton Campos

Caros amigos,

Estou em Madri para acompanhar em primeira mão o nascimento de um dos projetos mais inovadores e surpreendentes no âmbito mundial da educação superior. Parece até um pouco estranho o que vou relatar aqui, mas asseguro que isso faz parte de um projeto real, em pleno processo de implementação, com fundos e apoios institucionais diversos.

Histórico

Trata-se do projeto IE Higher Education que explico a seguir. O IE Business School surgiu de uma escola de negócios espanhola chamada Instituto de Empresa, criada em 1973 por Diego de Alcázar, banqueiro que ainda jovem decidiu mudar completamente o rumo de sua vida ao se dedicar a criar uma grande escola de negócios na Espanha. Embora não seja muito conhecido no Brasil, hoje o IE Business School é considerado uma das 10 melhores escolas de negócios do mundo por rankings como Financial Times, The Economist ou Forbes.
A escola se destaca principalmente por sua total independência política, econômica e religiosa e por sua forte dedicação ao mundo prático dos negócios, com claro foco em empreendedorismo aplicado. Além do mais, a escola traz propositadamente um forte elemento de diversidade às aulas, nas suas mais diversas formas: gênero, cor, origem geográfica, orientação sexual, histórias de vida, crenças religiosas, background acadêmico, entre outras. Isso faz com que pessoas de mais de 75 nacionalidades venham ao IE todo ano e que professores de mais de 30 países participem dos programas. Este ponto é importante porque permite que os alunos desenvolvam uma capacidade de análise mais completa e vislumbrem hoje as problemáticas de uma globalização extrema que se aproxima. Três pontos completam a visão do IE na formação em business: 1) a utilização e desenvolvimento de habilidades humanas (soft skills) como catalisadoras na formação de futuros líderes; 2) uma visão humanista clássica sobre o futuro do mundo pela valorização das artes humanas e 3) uma visão ampla (“responsável”) do impacto geral da presença do homem sobre a superfície terrestre. Por último, mas não menos importante, tenho que destacar a dedicação do IE ao desenvolvimento de uma plataforma própria de e-learning que coloca o IE como a segunda melhor escola de negócios do mundo em educação à distância pelo primeiro grande ranking de educação de negócios à distancia editado pelo Financial Times em 2008.

Universidade IE

Pois bem, com base nesta história de sucesso, em 2007 o IE adquiriu uma pequena e bonita Universidade na cidade de Segóvia, próxima a Madri, com o objetivo de iniciar um novo processo de expansão, desta vez bem mais ousada. Pela primeira vez que uma escola de negócios adquire uma Universidade. Dizem que a cifra do negócio foi de aproximadamente 100 milhoes de euros. O campus, para ser ter uma idéia, está instalado num monastério do século XII e neste momento, após meses de reformas, conta com a mais alta tecnologia de informática e ensino.

pqIEUniv1.jpg

Tal como tem feito nos últimos anos com seus inovadores programas de business (obs: não estou qualificando os cursos do IE de inovadores por querer puxar o saco do IE, basta analisar o conteúdo acadêmico e prático dos programas e comparar este conteúdo com o de outras grandes escolas mundiais para perceber isso), o IE decide agora inovar tanto nos cursos de graduação como nos cursos de pós-graduação de área de conhecimento tão dispares como Arqueologia, Arquitetura, Jornalismo, Psicologia, Direito, Comunicação, etc. Ainda não estou autorizado a contar os cursos que sairão nos próximos anos mas vocês verão que alguns nem sequer foram imaginados pela academia contemporânea. O objetivo é estar na frente em todas as áreas de conhecimento, sempre mesclando o ensino de humanidades (arte, história, sociologia, filosofia, etc) com management (business) e desenvolvimento de soft skills.

pqIEUniv5.jpg

Este conceito está baseado na visão de Humboldt sobre a ciência no século XVIII. Humboldt era um cientista que sempre buscava analisar fenômenos científicos de uma maneira multifocal, com o auxílio de várias áreas do conhecimento. Pode até parecer estranho (eu avisei no início), mas embora as escolas (faculdades) continuem existindo divididas em áreas de conhecimento, o quadro de professores e as pesquisas realizadas na Universidade IE serão feitas de maneira unificada, coordenada e colaborativa. Por exemplo, um professor de Arquitetura será estimulado a trabalhar com professores da escola de comunicação, jornalismo, arqueologia ou psicologia, por exemplo. O conhecimento não será disperso, será unificado e multifocado. A concentração da pesquisa acadêmica terá foco prático e não será feita de forma que se ignore o que tem sido feito em outras áreas. Obviamente será um gigante desafio conseguir fazer isso, mas os professores contratados pela nova Universidade têm comprado muito bem a idéia. Mais do que isso, reitores de outras grandes universidade mundiais têm apoiado o IE e invejam o fato de estarmos realizando este passo já sonhado por tanto pesquisadores.

Para estar apta a desenhar programas tão inovadores de maneira rápida, atingindo múltiplas áreas do conhecimento o fluxo de informação entre os stakeholders desta universidade deve ser muito direto e permeável, sem barreiras de hierarquia travando tomadas de decisões e resultados. Isso vai permitir novas combinações de conhecimento que atualmente poucas universidades serão capazes de replicar. A mescla de conhecimentos de business, soft skill e arte, mesclados com outras áreas de conhecimento gerarão profissionais muito mais bem preparados para o mundo que se avizinha.

Sei que é difícil imaginar, mas tentemos pensar que um aluno de arquitetura, por exemplo, poderá e será estimulado a usar a opinião de um professor de biologia, psicologia ou jornalismo sobre o fato de um edifício ser da maneira A, B, ou C. O professor biólogo africano vai contribuir com algo de perspicaz e útil, tal como a aluna de arqueologia russa, o jornalista judeu equatoriano e o professor de direito homossexual. Todos com uma visão prática de suas profissões. Embora o embasamento técnico deste aluno de arquitetura deva ser exemplar, os projetos que ele gerará serão inovadores, holísticos, responsáveis e humanos, além de contar com uma visão de negócios bastante completa. E tudo isso em inglês, na Espanha!

pqIEUniv3.jpg

O projeto está no início. Este ano começam os cursos de comunicação e arquitetura já no formato inovador IE e em inglês, em 2009 começarão os cursos de Direito e Administração. Veremos juntos onde isso vai parar.

com orgulho,

Newton Campos
International MBA 2001


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Posted on 28 maio 2008 in IE University | Permalink | Comments (1)

   maio 20, 2008   


Newton Campos

Prezados ex-alunos e pessoas interessadas no IE em geral,

Conseguimos obter verbas extras do IE para organizarmos mais uma apresentação no Brasil.
Esta será a segunda apresentação este ano. Penso que teremos outra até o final do ano (por volta de setembro/outubro). Enfim, será uma boa oportunidade de conhecer a Universidade IE, os cursos da IE Business School (MBA e Masters especializados), IE Law School (LLM) e da IE School of Arts and Humanities (International Relations):

10/06/2008
São Paulo – Região Berrini
Hotel Hilton Morumbi
Av. das Nações Unidas, 12.901
20h15

11/06/2008
Rio de Janeiro
Hotel JW Marriott Copacabana
Av. Atlântica, 2.600
20h

12/06/2008
São Paulo – Centro
Hotel Intercontinental
Alameda Santos, 1.123 –Trianon
20h

Provas de admissão - IE Admission Test:
16/06/2008
São Paulo
IE Brazilian Office
Av. Paulista, 726 – 17º andar – Conj. 1707d
19h

Rio de Janeiro
17/06/2008
Hotel JW Marriott Copacabana
Av. Atlântica, 2.600
19h


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Posted on 20 maio 2008 in Eventos | Permalink | Comments (0)

   maio 02, 2008   


Newton Campos

Este artigo representa a minha opinião pessoal

Meu nome é Newton Campos. Tenho 32 anos, sou carioca, contador pela PUC-SP. Estudei no Instituto de Tecnologia ORT no período de high school e fiz meu mestrado em Business (MBA) full time no IE Business School e no IIM Indian Institute of Management (em intercâmbio pelo IE). Hoje estou no terceiro ano de doutorado pela FGV-SP e cuido das atividades do IE no Brasil. O IE possui mais de 20 escritórios locais de representação pelo mundo, dirigidos por ex-alunos originários de cada país. Os escritórios do IE pelo mundo servem de embaixadas para ex-alunos, empresas e candidatos. Meu objetivo com este post é colaborar com uma reflexão sobre o papel dos "preparadores de MBA" na burocracia institucionalizada que existe no processo de admissão das principais Escolas de Negócios internacionais.

Sempre trabalhei com tecnologia e marketing, chegando à área de "Marketing internacional para países emergentes" (se é que esta área existe) após meu MBA no IE. Um dos motivos que me levou a esta área foi minha paixão por viajar e descobrir novas culturas, novos mind sets e novas realidades. Nos últimos 10 anos visitei mais de 35 países e vivi em 4. Enfim, depois de 4 anos fora do Brasil, acabei retornando por convite feito pelo próprio IE, que tinha interesse em abrir um escritório de representação no Brasil há alguns anos. Minha volta ao Brasil ocorreu em 2003, de forma que já levo mais de 5 anos exercendo este trabalho interessantíssimo. Faço parte, com prazer, da gestão de uma Escola jovem, vencedora, inovadora e diferente, num mercado dominado por escolas tradicionais com mais de 100 anos de idade. O IE é hoje umas das 10 principais escolas de negócios do mundo mas desde 1990 já vinha ocupando o lugar de "top 25" business school mundial.

Tenho acompanhado este mercado de perto há mais de cinco anos, participando de eventos de diversas escolas, feiras nacionais e internacionais de MBA, além de encontros com profissionais dos departamentos de admissões de diversas escolas. Além disso, tenho acesso a alguns dados confidenciais, que são gerados pelas próprias escolas em reuniões que as mesmas fazem com certa frequência. O público em geral não sabe, mas as 10 mais importantes escolas da Europa se reúnem periodicamente para trocar experiências, best-practices, resultados de pesquisa acadêmica e números em geral.

Novamente, o que me motivou a escrever este post foi o crescente interesse dos brasileiros por escolas de negócios internacionais e o grau de importância que os "preparadores de MBA", "MBA Advisors", "professores de GMAT" e outros profissionais deste tipo têm ganho no Brasil, principalmente em São Paulo. O título de MBA tem se popularizado e as vagas nas grande escolas de negócios internacionais aumentando. Já são várias as escolas que formam mais de mil alunos de MBA full-time por ano.

Enfim, o que quero colocar em reflexão aqui é o motivo, o porquê do brasileiro precisar de um apoio na preparação para fazer um top MBA internacional. Curiosamente o Brasil é um dos únicos países do mundo onde esta profissão cresce com força (na Índia esta profissão também existe em menor escala) e eu tenho minha própria opinião sobre os motivos que originaram a demanda destes serviços.
Em geral, eu tento estimular que as pessoas não contratem a custosa ajuda dos "preparadores de MBA" (MBA advisors) para apoio no processo de admissão pois este serviço distorce a percepção das Escolas sobre o candidato. Atualmente, o serviço tem custado de 4 a 12 mil reais, dependendo do "pacote" (GMAT+TOEFL, somente GMAT, Apllication+TOELF, etc). Que me desculpem os preparadores (conheço quase todos no Brasil e inclusive alguns da Índia) mas acho que sua "especialização" em lidar com diferentes "application forms" e "admission processes" faz com que as pessoas pareçam ser o que elas não são.

Não condeno o útil e válido serviço destes profissionais em ajudar as pessoas com informações sobre as Escolas e suas características mas acho que o apoio no preenchimento do application pode até mesmo ser classificado de anti-ético e têm Escolas que já estão se preparando para lidar com candidatos que passaram pelos "preparadores", tanto na reconsideração do "application" como na própria nota do GMAT.

Até onde o serviço destes profissionais pode ser útil ou recomendado? Prefiro passar a pergunta para o leitor deste post, mas sugiro que as pessoas tentem utilizam o serviço destes profissionais mais para análise das melhores opções de pós-graduação no exterior (tanto em termos de tipo de programa como em termos de destino) do que como um apoio forçado para maquiar debilidades formacionais e profissionais do candidato.


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Posted on 2 maio 2008 in Artigos sobre MBA | Permalink | Comments (3)


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