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maio 28, 2008 Caros amigos, Estou em Madri para acompanhar em primeira mão o nascimento de um dos projetos mais inovadores e surpreendentes no âmbito mundial da educação superior. Parece até um pouco estranho o que vou relatar aqui, mas asseguro que isso faz parte de um projeto real, em pleno processo de implementação, com fundos e apoios institucionais diversos. Histórico Trata-se do projeto IE Higher Education que explico a seguir. O IE Business School surgiu de uma escola de negócios espanhola chamada Instituto de Empresa, criada em 1973 por Diego de Alcázar, banqueiro que ainda jovem decidiu mudar completamente o rumo de sua vida ao se dedicar a criar uma grande escola de negócios na Espanha. Embora não seja muito conhecido no Brasil, hoje o IE Business School é considerado uma das 10 melhores escolas de negócios do mundo por rankings como Financial Times, The Economist ou Forbes. Universidade IE Pois bem, com base nesta história de sucesso, em 2007 o IE adquiriu uma pequena e bonita Universidade na cidade de Segóvia, próxima a Madri, com o objetivo de iniciar um novo processo de expansão, desta vez bem mais ousada. Pela primeira vez que uma escola de negócios adquire uma Universidade. Dizem que a cifra do negócio foi de aproximadamente 100 milhoes de euros. O campus, para ser ter uma idéia, está instalado num monastério do século XII e neste momento, após meses de reformas, conta com a mais alta tecnologia de informática e ensino.
Tal como tem feito nos últimos anos com seus inovadores programas de business (obs: não estou qualificando os cursos do IE de inovadores por querer puxar o saco do IE, basta analisar o conteúdo acadêmico e prático dos programas e comparar este conteúdo com o de outras grandes escolas mundiais para perceber isso), o IE decide agora inovar tanto nos cursos de graduação como nos cursos de pós-graduação de área de conhecimento tão dispares como Arqueologia, Arquitetura, Jornalismo, Psicologia, Direito, Comunicação, etc. Ainda não estou autorizado a contar os cursos que sairão nos próximos anos mas vocês verão que alguns nem sequer foram imaginados pela academia contemporânea. O objetivo é estar na frente em todas as áreas de conhecimento, sempre mesclando o ensino de humanidades (arte, história, sociologia, filosofia, etc) com management (business) e desenvolvimento de soft skills.
Este conceito está baseado na visão de Humboldt sobre a ciência no século XVIII. Humboldt era um cientista que sempre buscava analisar fenômenos científicos de uma maneira multifocal, com o auxílio de várias áreas do conhecimento. Pode até parecer estranho (eu avisei no início), mas embora as escolas (faculdades) continuem existindo divididas em áreas de conhecimento, o quadro de professores e as pesquisas realizadas na Universidade IE serão feitas de maneira unificada, coordenada e colaborativa. Por exemplo, um professor de Arquitetura será estimulado a trabalhar com professores da escola de comunicação, jornalismo, arqueologia ou psicologia, por exemplo. O conhecimento não será disperso, será unificado e multifocado. A concentração da pesquisa acadêmica terá foco prático e não será feita de forma que se ignore o que tem sido feito em outras áreas. Obviamente será um gigante desafio conseguir fazer isso, mas os professores contratados pela nova Universidade têm comprado muito bem a idéia. Mais do que isso, reitores de outras grandes universidade mundiais têm apoiado o IE e invejam o fato de estarmos realizando este passo já sonhado por tanto pesquisadores. Para estar apta a desenhar programas tão inovadores de maneira rápida, atingindo múltiplas áreas do conhecimento o fluxo de informação entre os stakeholders desta universidade deve ser muito direto e permeável, sem barreiras de hierarquia travando tomadas de decisões e resultados. Isso vai permitir novas combinações de conhecimento que atualmente poucas universidades serão capazes de replicar. A mescla de conhecimentos de business, soft skill e arte, mesclados com outras áreas de conhecimento gerarão profissionais muito mais bem preparados para o mundo que se avizinha. Sei que é difícil imaginar, mas tentemos pensar que um aluno de arquitetura, por exemplo, poderá e será estimulado a usar a opinião de um professor de biologia, psicologia ou jornalismo sobre o fato de um edifício ser da maneira A, B, ou C. O professor biólogo africano vai contribuir com algo de perspicaz e útil, tal como a aluna de arqueologia russa, o jornalista judeu equatoriano e o professor de direito homossexual. Todos com uma visão prática de suas profissões. Embora o embasamento técnico deste aluno de arquitetura deva ser exemplar, os projetos que ele gerará serão inovadores, holísticos, responsáveis e humanos, além de contar com uma visão de negócios bastante completa. E tudo isso em inglês, na Espanha!
O projeto está no início. Este ano começam os cursos de comunicação e arquitetura já no formato inovador IE e em inglês, em 2009 começarão os cursos de Direito e Administração. Veremos juntos onde isso vai parar. com orgulho, Newton Campos |
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